sábado, 29 de outubro de 2011

regresso sem regressar

depois de ter desistido de tudo, de inclusive falar a mim e ao mundo, decidi voltar.

não é por nada, mas achei por bem.

recordar é viver 
voltar é viver

sábado, 24 de setembro de 2011

sol de pouca dura

parece que com o outono, voltou a chuva aos meus olhos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

funny how things turn out to be

devia escrever sobre tanta coisa.

e como ando toda confusa e marada. mas feliz. super feliz. apesar de estar mais emaranhada do que em qualquer outra altura.

é curiosa a vida...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

fim da linha

e depois há dias como o de hoje em que vemos uma pessoa a saltar para a sua morte e não sabemos bem o que aconteceu.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

chama-se adoptar uma perspectiva optimista da vida

diria que já não aguento certos joguinhos, atitudes e, sobretudo, pessoas.

mas, ando demasiado feliz para me preocupar com isso agora.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

diferenças literário-pessoais

peço desculpa pelo decréscimo de tudo que aqui se tem verificado.

precisava de me encontrar, de encontrar um norte e, em grande parte, este espaço permitiu-me isso, numa espécie de liberdade confinada que me deixou expressar e tentar redescobrir-me.

encontrei um novo eu. voltei a sentir as palavras, cada uma delas, e a expressar a minha tentativa de arte de outros modos. voltei a escrever em folhas de papel amachucado e em documentos reservados.

voltei a escrever. para mim.

agradeço por este espaço, sempre. espaço que continuarei a usar para me expressar de formas diferentes e a tentar coisas novas que, de outra forma não resultam. continuarei a escrever aqui aquilo que, para mim, não ouso.

sábado, 13 de agosto de 2011

russian roulette is not the same without a gun

e todos os dias repito para mim mesma "tu mudaste, C., mudaste." e qualquer coisa como "a partir de hoje não penso mais em ti. a partir de hoje vou pensar em mim".

mas a verdade é que roubas-me a alma em sonhos e a mente em pensamentos. és a pior droga, o pior vício que eu poderia ter. mas és aquele que me sabe melhor.

e sabe tão bem que me mates lentamente.




quinta-feira, 11 de agosto de 2011

perspectivas astrais

hoje queria voltar a ser criança, daquelas que acreditam que os desejos se realizam, e ver uma estrela cadente para soprar um segredo e receber em troca um beijo.

mas, agora que penso nisso, seria um desperdício enorme desejar o que quero desejar.


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

fight or flight?


- tenho andado a dizer isso nos últimos dias, que não sei, não consigo sondar nem ver nem entender nada desses sinais e tretas. eu não sou assim, não sou perspicaz, não consigo ver se sim se não. preciso que me digam preto no branco, ou não sei... porque eu não consigo ver nada. nada.

- mas podes ser tu, não?

- mas não acho que seja eu. vou tentar let him go. agora que tenho tempo para let go e não pensar mais nele, nunca.

- pois. se achas que consegues...

- eu sei lá. mas tenho de tentar não? tentar qualquer coisa, sim ou não, mas tentar uma das duas...porque não fazer nada soa-me mal.

- não fazer nada é o pior.






fell in love with a boy

Acredita, tenho saudades.



terça-feira, 9 de agosto de 2011

é daquelas coisas que devias compreender

tenho um íman no lugar do coração.


caminhos de ferro

comboio. o tum tum, tum tum, tum tum, tum tum, tum tum...

quando me embrenho no som compassado e profundo que se vai desvanecendo com a diferença das paisagens atinjo o nirvana da paz, da calma, e penso.

penso como só nestes momentos de viagem consigo pensar.

sabem aqueles dias em que estamos rodeados de pessoas e nos sentimos mais sós que nunca e a única coisa que nos apetece fazer é fugir? é nesses dias que mais gosto de entrar num qualquer comboio sem destino, de sair do que conheço e percorrer o mundo em pensamentos compassados ao ritmo do tum tum que me embala e me transporta para uma paisagem à beira-mar regada com uma limonada fresca "sem açúcar" digo e o cheiro a maresia.

talvez seja aquela tal sensação de pânico antes do salto para o abismo, antes do afogar no mar. quando sinto aquele peso no peito e sou incapaz de respirar. aquele peso que me recorda do sentimento que reprimo e guardo em mim, só para mim, mas que me destrói e vai corroendo a cada compasso do meu pensar de tum tum.

e, depois, vem a chuva. o chorar de olhos pretos do rimel esborratado. o pensar do pensar sem fôlego. o sofrer as saudades.

"próxima estação..." ouve-se entretanto e quebra-se o feitiço da transe do pensamento íntimo.

cheguei ao meu destino. mas não saí do mesmo lugar.



quinta-feira, 28 de julho de 2011

o problema aqui é a falta de tempo

porque um dia eu vou ter tempo de deixar todas as ideias fluir para o mundo.


mas agora não posso.

/é mais ou menos como tu e eu. tempos estrangulados/


domingo, 17 de julho de 2011

the more I grow the less I know

deixar partir as pessoas é muito importante. até no amor.

especialmente no amor.





segunda-feira, 11 de julho de 2011

sai dos meus sonhos

não faço ideia do que queres.

sim, não, nim? mas era bom que te decidisses rapidamente e deixasses de ser tão...inconstante. porque se continuares assim eu nunca vou conseguir tirar-te da minha cabeça (por mais cavaleiros - como ele! - que apareçam).

mas acho que é isso exactamente que queres: manter-me presa a ti. para sempre. só para que saibas que estou ali quando precisares. e essa não é uma sensação que eu queira ter.

ainda assim, vamos jogar o teu jogo. porque, tens razão, ainda penso em ti.

"gosto de ti"

e nunca sei se quando o dizes é de verdade.

terça-feira, 5 de julho de 2011

electrodomésticos "edição limitada"

- questão existencial sem resposta aparente
- (já) tenho resposta para isso. atingiu-me há pouco enquanto ligava a fritadeira.
- as fritadeiras são boas conselheiras.
- não tanto quanto os microondas. vou então explicar-te: coloca outra questão difícil de responder, se não souberes a resposta, pergunta ao ar-condicionado...


I don't love you, and so what?

foges. não tens feito nada mais senão fugir. e eu que sempre precisei do meu amigo agora fiquei apenas com os suspiros docinhos deixados em tempos idos.

percebeste tudo mal. aliás, achas que percebeste o que quer que seja. e começaste a tirar ilações ridículas.

volta. só quero que aqueles dias de massa quebrada no balcão com o cheiro a tartes de amêndoa no forno regressem.


mas eu tenho quase a certeza que és mesmo tu de quem eu sinto a falta.


sábado, 2 de julho de 2011

podes fugir mas não te podes esconder?

quanto mais corro mais me afasto de ti.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

há pessoas e, depois, há idiotas.


e é só isto. gosto da forma como algumas pessoas se metem onde não são chamadas. e de como, anonimamente (cobardia total, saliente-se) criticam e opinam sobre coisas que não conhecem e sobre as quais não fazem a mínima ideia.

há uma grande diferença entre literatura e entre desabafos do tipo meu-querido-diário. temos de saber reconhecer a diferença. nem tudo o que se escreve retrata a pessoa que escreveu isso. na verdade, o acto de escrever serve para que nos possamos colocar na pele de outras pessoas e ir de encontro àquilo que pode ser mais ou menos emocionante para os leitores. (podendo, ou não, servir de catarse pessoal. se for ambos, melhor)

deixo um aviso, para a próxima vez que alguém queira comentar de forma idiota o que quer que seja, por favor, pense um bocadinho (2 segundos bastarão, verá) antes de o fazer. é que toda essa indignação suspirada de quem tem a sensibilidade literária de um alfinete não fica bem.

e, se não gosta, não leia. cada um faz o que quer, tenho tanto o direito de escrever como qualquer outra pessoa e gosto pouco que me digam o que fazer.

e, agora sim, eu própria digo (tradução para totós: não estou a fazer uma extrapolação literária, é mesmo a minha opinião): a inveja é um sentimento muito feio. e, provavelmente, quem é frustrado aqui não sou eu...


#aos outros: desculpem toda esta agressividade, mas há limites#

domingo, 26 de junho de 2011

tem dias que sim

há dias em que penso que poderia resultar. mesmo. é toda uma sensação de formigueiro inexplicável que me invade os sonhos com cheiro a bolos acabados de fazer no ar.

tu e eu, num abraço infinito. breves momentos de perfeição.

mas, depois, lembro-me que nem eu nem tu somos assim. que somos tão parecidos e, contudo, tão diferentes. mas que somos livres. e não é que somos perfeitos assim mesmo?

por mais tartes que saiam do forno, o sonho continuará sempre isso mesmo - um sonho.


quinta-feira, 23 de junho de 2011

blame it on the girls, blame it on the boys

e logo eu que prometi que, por ti, não derramava nem mais uma lágrima.

e que, desta vez, foi por uma coisa completamente idiota.

mas, eu gosto mais dele que de ti, que raio! [então porque é que é sempre ele que te afecta?]



terça-feira, 21 de junho de 2011

run away


há dias em que me apetece fugir. apenas, fugir.

(mas depois olho para frases como estas, vejo o teu sorriso e penso:
 "damn, what a shame it would be to run away")



sorrisos. a melhor maneira de comunicar.


ai que calor, ai que calor

não, não se tornou mais fácil ser eu. não, não perdi a minha indecisão e muito menos a minha brevidade. não, não aconteceu nada de bom e diferente.

mas, estranhamente, "the living is easy" #Summertime#

hoje, com a certeza que sou amada, somewhere, somehow. 

sábado, 18 de junho de 2011

diálogos hipotéticos comigo mesma #2

- então e aquele?
- esse? não me apela à alma. e eu sou uma mulher de paixões de alma.
- e o outro apela?
- sim. e é por isso que não vou desistir.

"acho que nunca soubeste o quanto eu gostei de ti. esta é a carta que eu nunca te escrevi"

"eu sou a merda que vês, ao menos sabes quem sou.
e sabes que tudo o que tenho é tudo aquilo que te dou."



"e se ainda não me conheces então nunca me conhecerás"


pedir desculpa pela minha cobardia de não conseguir falar é o mesmo que pedir desculpa por não querer magoar-te apenas para aliviar a minha consciência. mereces - merecemos - mais que simples palavras. isto, assim, fica para sempre, suspenso é certo, mas fica. guardado na minha memória e só na minha. até morrer. até depois.

"o coração de uma mulher é um mar de segredos"

"care for a drink?" "care for me?"


penso no quanto gosto de café. no seu cheiro reconfortante, no seu sabor intenso e em todo o ritual que o envolve sempre. simples, claro está - sem qualquer adição; seja açúcar ou leite ou o que seja - gosto mesmo muito de café.

depois, penso no quanto gosto de um chá de vez em quando. seja frio, com uma rodela de limão e dois cubos de gelo, ou quente, simples ou com açúcar e, quiçá, leite. à boa velha maneira inglesa.

mas, no final de tudo, penso em ti. se me escolherias a mim em vez de uma chávena de chá ou de uma caneca de café fumegante. se escolherias beber tudo o que tenho para te oferecer: beber-me a alma e tudo. 
sem nunca esqueceres o ritual que envolve o acto de tomar uma bebida: primeiro respira-se, cheira-se, depois leva-se a bebida à boca, prova-se um bocadinho e, por fim, saboreia-se gota a gota até que nada mais reste. 


gostava de saber se me escolherias, algum dia. fosse pelo que fosse.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

"fica" "vou" "porquê?" "porque tem de ser. o que é perfeito só não acaba se eu acabar primeiro"



sei que um dia te vou ter. consigo senti-lo...como uma sensação de formigueiro que arde nos olhos. 
e, depois disso, vamos acabar ao luar, a beber o suco do prazer noite fora. 


vamos ser perfeitos até que eu me vá embora (sim, sempre a brevidade)





metaforicamente falando



porque, por ti, subia ao mais alto dos edifícios e atirava-me de cabeça, pairando sobre a cidade.

o que eu te fazia agora...


e era só para dizer que RAWR

terça-feira, 14 de junho de 2011

indiscrições picantes

"Gosto de sentir a tua barba dura
a arranhar-me os seios
simular-me cortes nos mamilos

A peregrinar-me o corpo
em descobertas picantes
de voraz languidez

Gosto de sentir a tua barba dura
a passear na pele
a desbravar-me arestas

A marcar caminhos
dar à luz desejos
despertar as fomes

Essa barba dura
que me arrasa
e me deixa em brasa"

"Cantiga de Amigo (Mickey Rourke)"
in De Boas Erecções está o Inferno Cheio



perdoem-me. mas não resisto a um homem de barba rija, que me seduza com a sua excentricidade e me aqueça lentamente, com calma e atenção. e me provoque um misto de sensações pelo corpo e pela alma.

[and i do mean um HOMEM]

inevitabilidades da vida

"Primeiro
chamas-me amor
e depois
fodes-me."

"Foi Você que Pediu um Par de Cornos?"
in De Boas Erecções está o Inferno Cheio



e não é sempre assim?



segunda-feira, 13 de junho de 2011

visto-me de cetim preto e perfumo-me na esperança que seja eu própria a sair à rua e não uma qualquer.

toda a gente me diz para ser mais confiante e arriscar. usar aqueles saltos altos vermelhos de verniz polido e finalmente dizer o que penso de verdade, o que quero.

mas, e apesar dos 50/50 que todos temos sempre que abrimos a boca, está-me a parecer que não consigo atirar-me do penhasco de cabeça. não desta vez. já morri vezes demais, parece que caio sempre fora de água ou bato numa rocha. e, desta vez, gostava de sobreviver.

mas, e se sobreviver, neste caso, signifique não viver?

só gostava que pintar as unhas de vermelho e mudar todo o corte de cabelo me desse o empurrão para me atirar de vez.






sábado, 11 de junho de 2011

i'm a dreamer

às vezes acho que sonho demais.

e depois há dias, como hoje, em que acho que não faz mal sonhar.




sexta-feira, 10 de junho de 2011

tenho de parar de sonhar acordada. julgo que comer chocolate teria o mesmo efeito, mas menos culpa associada.

consigo imaginar-nos a comer pastéis e a beber café noite fora, envoltos numa conversa sobre literatura e uma troca de sorrisos e disparates que tais.

consigo imaginar toda uma fantasia construída sobre fundações de natas em castelo. uma discussão sobre política aqui, uma cerveja bebida ali e umas viagens por esse mundo fora.

consigo imaginar momentos perfeitos de tão ridículos que são. saídas que nunca aconteceram mas que enterneceriam o mais insensível dos mortais. cocktails chiques e vestidos de gala, seguidos de uma corrida pela cidade, descalços.

consigo imaginar-te. ver-te. quase que sentir-te e cheirar-te.

só não consigo é imaginar a realidade.

erros sucessivos

não acredito que estou outra vez assim. jurei para mim mesma (inúmeras vezes) que jamais voltaria a ficar assim, a deixar-me ir e cair nas tentações. que não cairia à primeira conversa madrugada fora, nem à segunda, nem à terceira.

o problema? já foram conversas a mais. e, eu, como sempre. caio. caio. caio. caio.

#que grandecíssima idiota me saíste, C.! és parva, ou fazes-te?#

só queria saber porque é que me apaixono sempre nas piores alturas. e sempre por pessoas que julgo serem boas demais para mim. ou pelas pessoas erradas. que claramente nunca irão sentir (remotamente) o mesmo.



queria saber porque é que me dás a volta à cabeça. e porque é que, por ti, sou capaz de deixar de dormir apenas para ver meia dúzia de palavras escrevinhadas noite fora.


pazes de perdão em noites de semi-Verão

afinal, os amigos ficam mesmo. sempre.

sábado, 4 de junho de 2011

prefiro um estalo bem dado e uma discussão do que o limbo passivo-agressivo de caramelo que criámos

-  i'm sad, down. e não vai passar. ele é orgulhoso, casmurro e infantil, mas é adorável. e, talvez, a única pessoa a quem pedi desculpa mesmo quando senti que não devia. aliás, única pessoa a quem PEDI desculpa. mas isso não importa, porque ele não vê.

- ele tem defesas. tens de ter paciência

- e tenho. mas não gosto que ele me trate assim de forma diferente. quase como se fosse uma 'estranha'. não gosto que ele nunca 'veja'...
e ja sei que ele não vai voltar a ser o que era, conheço-o bem demais já...

- não gosto de vos ver assim...

- ele fala, mas não é da mesma forma, sabes? weird part? já estive mais triste...agora só me arranha ao de leve. porque não há nada a fazer.

terça-feira, 31 de maio de 2011

dias de hortelã e menta

Step one you say we need to talk
He walks you say sit down it's just a talk
He smiles politely back at you
You stare politely right on through

Some sort of window to your right
As he goes left and you stay right
Between the lines of fear and blame
You begin to wonder why you came

Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life

Let him know that you know best

Cause after all you do know best
Try to slip past his defense
Without granting innocence

Lay down a list of what is wrong
The things you've told him all along
And pray to God he hears you

And pray to God he hears you

Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life

As he begins to raise his voice
You lower yours and grant him one last choice
Drive until you lose the road
Or break with the ones you've followed

He will do one of two things
He will admit to everything
Or he'll say he's just not the same
And you'll begin to wonder why you came


Where did I go wrong, I lost a friend
Somewhere along in the bitterness
And I would have stayed up with you all night
Had I known how to save a life

uma questão de perspectiva

e depois de semanas e semanas de esplancnologia, angiologia  e afins, tudo me parece mais fácil.

quem consegue saber (e gostar) disto tudo, também consegue sobreviver às merdinhas da vida.

(às vezes juro que acho que toda a parvoíce que me rodeia me afecta)





segunda-feira, 30 de maio de 2011

interrogações profundas


- o teu cabelo está outra vez grande.

- hum. talvez o volte a cortar. achas bem?

domingo, 29 de maio de 2011

"E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz"


tenho uma grande dificuldade em perceber a diferença entre "dar tempo" e "deixar passar"; aquela diferença entre mostrar que nos preocupamos, não nos esquecemos e queremos, e o 'deixa ver no que é que isto dá' que tanto pode advir do medo de sermos 'chatos' ou apenas de quase indiferença.

não consigo ser indiferente, mas tenho medo de ser chata e insistente.

quero que saibas que me preocupo e todos os dias me lembro.

por isso, o que é "dar tempo"?

(talvez seja mesmo isto. pensar e escrever mas não dizer nada. esperar, somente)


"Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço."

FP

diálogos hipotéticos comigo mesma

- sabes, sinto-me estranha. com uma sensação de peso no peito, como se não conseguisse respirar... ando preocupada, será que estou doente? ultimamente cada batimento cardíaco, cada fôlego me parecem uma tortura... como se tivesse um bloco de pedra gigante em cima de mim, sempre, e não o conseguisse mover.

- hum, se calhar devias ir ao médico. pode ser stress a mais... andas com tanta pressão, tantas coisas na tua mente. e depois, todo aquele ambiente pesado e o cheiro a cemitério que odeias, as flores tristes...talvez tenha sido isso.

- talvez. ou talvez tenha sido aquela outra coisa. a que eu estraguei sozinha e perdi por minha culpa.

- perdeste muito esta semana.

- sabes, às vezes odeio-me. odeio-me, odeio-me, odeio-me, odeio-me, ODEIO-ME!

- ...esse foi, talvez, o grito mais sentido e visceral que já te ouvi dar. talvez te ajude. não sei. tens de ter calma. tens de esperar.

- e, entretanto, odeio-me?

- se for isso que é preciso para que tudo se resolva, sim. mas, por favor, respira. luta contra o bloco de pedra, move-o.

- mas, sabes, o problema com as pessoas que se odeiam a si próprias é não conseguirem amar mais nada, mais ninguém. só por isso é que não me odeio. porque, claramente, o amo.


sábado, 28 de maio de 2011

#isto sou eu a dar-te tempo#



I'll sing it one last time for you
Then we really have to go
You've been the only thing that's right
In all I've done


And I can barely look at you
But every single time I do
I know we'll make it anywhere
Away from here

Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I'll be right beside you dear

Louder louder
And we'll run for our lives
I can hardly speak I understand
Why you can't raise your voice to say

To think I might not see those eyes
Makes it so hard not to cry

And as we say our long goodbye
I nearly do

Light up...

Slower slower
We don't have time for that
All I want is to find an easier way
To get out of our little heads

Have heart my dear
We're bound to be afraid
Even if it's just for a few days
Making up for all this mess



desculpa.


sexta-feira, 27 de maio de 2011

carta para ti: "sometimes we let ourselves lose something we shouldn't"

Para ti,

não sou perfeita, nada mesmo. sei que não sou. sei-o desde sempre. e, por isso cometo erros. sou falível, humana.

tenho sempre uma certa tendência para falar por falar, ou melhor, para dizer coisas sem pensar, para o ar, em conversas banais de café. mas esqueço-me que os outros não estão na minha cabeça; não sentem o que eu sinto nem pensam o que eu penso. e esqueço-me que as pessoas vêm em ângulos diferentes e formam, por isso, ilacções díspares.

nunca te magoaria de propósito. acho que sabes isso, espero pelo menos. e jamais te mentiria. sim, sei que, talvez, numa dessas minhas banais conversas de café, posso ter exteriorizado alguma frustração. mas nunca, nunca disse mal de ti. e nunca irei dizer. jamais. porque não mereces.

"preocupo-me demais com ele" disse eu um dia. "ele" eras tu. porque é verdade, porque me preocupo. porque se não preocupasse não seria capaz de escrever isto, nem aquela carta, nem nada.

eu sei. compreendo a tua perspectiva. a sério que sim. mas não tentaste perceber a minha. sou uma pessoa falível. humana. às vezes sinto coisas que não devia, que não aguento sozinha, mesmo que na realidade não seja verdade. mesmo que seja só um fruto do cansaço extremo. mas isso não quer dizer que alguma vez te desse menos valor. nem que tu me desses menos valor a mim. nem nada disso.

sabes, continuo a fazer rewind daquela tarde. de como precisava de ti (e de como sempre preciso mais eu de ti do que tu de mim) e de como saiu tudo mal e foi tudo mal interpretado. e peço desculpa. mesmo que não tenha sido intencional percebo, agora, que te magoei. que traí uma confiança que tinhas. mesmo que não fosse isso que eu queria, mesmo que o tenha feito sem sequer me aperceber. porque, sabes, não percebi.

#Mad World do Moby tem-me vindo a assombrar como se fosse banda-sonora destes dias#

espero que, um dia, me perdoes. por ser assim: uma mulher que sente demais, pensa demais e, sobretudo, fala demais. sem sequer reparar.

li, há pouco que "sometimes we let ourselves lose something we shouldn't" e pensei que não quero ser assim. não desisto. não desisto de alguém só porque fiz uma asneira. não. até porque acho que se a amizade for aquilo que eu sempre achei que fosse, não é esta confusão (uma ninharia, uma estupidez que nem sequer percebi que estava a acontecer) que a vai terminar.

li, também que "every passing minute is another chance to turn it all arround". digo-te, se não tivesse lido nada disto, não teria escrito. tinha toda esta ideia de que o tempo resolveria as coisas porque irias ver e perceber sozinho o quanto isto me magoa e faz mal e o quão culpada me sinto por uma coisa que nem percebo como deixei acontecer. (mais uma vez, talvez concorde com a teoria de que somos todos doidos. devo ser. para fazer isto só pode. mas vale a pena tentar. it's worth the shot. you're worth the shot), mas depois pensei que se tudo pode mudar numa tarde para um dos lados, então também pode para o outro.

e fico-me por aqui. dizem-me que "quem fica a perder é ele." mas eu sei que não. sei que quem perde sou eu. sempre. porque depois de tudo isto o meu coração apertou-se mais um pouco e a minha alma ficou mais pequenina. porque isto não faz sentido nem devia ter acontecido. porque nunca na vida me arrependi de uma coisa. excepto disto. não vale a pena mais desculpas. o que foi, foi. só espero que compreendas, que tentes ver o quão importante és. sim, porque se não fosses nunca reagiria como reagi quando disseste que não confiavas mais.

desculpa. espero que...nem sei o que espero. seria mais "quero que volte tudo a ser como dantes" se bem que, com isto, não pode voltar a ser. nunca poderia. mas pode vir a ser melhor. chama-se crescer. e, às vezes, os amigos também se zangam e precisam de coisas como estas para crescer (eu sei porque cresci) mas não deixam de ser amigos.

e, entretanto, vou sendo tua amiga sozinha. porque, quando se gosta, respeita-se. e isto sou eu a tentar respeitar a tua decisão. mesmo que me doa.

i wish you the best, always



e, só para que conste: i didn't cry you a river; i cried you a fucking ocean.

terça-feira, 24 de maio de 2011

quando menos esperares partirei. nesse dia, não precisarás mais de mim

sou tão breve. flutuo por esse mundo tal libelinha de nenúfar em nenúfar. e nunca fico; nunca permaneço, nunca mais que um determinado período de tempo.

sou como aquela personagem, a Nanny McPhee:
fico enquanto precisam de mim mas não me querem. vou-me embora quando me querem mas já não precisam.

poderia dizer que isto é triste. mas, na verdade, é apenas a forma como as coisas são.
não sou usada; deixo-me usar, é ligeiramente diferente.


e, no fim, fica apenas a convicção que a minha passagem (breve ou não) ajudou.
mudou aquela pessoa.
tornou-a melhor.
mesmo que eu nunca fique. mesmo que a minha vontade e os meus desejos nunca se cumpram.

[resta-me esperar que haja alguém como eu e que, num desses vôos primaveris, nos encontremos e mudemos de rumo simultaneamente, fugindo do vento que nos arrasta]

sábado, 21 de maio de 2011

uma sensação de perda.

não tenho medo de viver. vocifero, praguejo, insulto. adulo, elogio, adoro. ambiciono, quero, desejo. e, mesmo assim, nada digo. nunca.

as palavras não são mais que gotas de tinta que chuviscam no rabisco que é a vida.

se eu não fosse eu, era Sofia

Sofia é uma mulher com je ne sais quoi. stilettos vermelho-vivo de verniz polido e vestidinhos pretos de seda justos e decotados. mas sempre com classe. não tem medo de nada. vive a vida a seu gosto e com gosto. é inteligente. sabe o que quer, como quer e quando quer. fala do politicamente correcto de forma politicamente incorrecta. não tem medo do termo 'concomitante'. a sua vida profissional é um sucesso e a pessoal não lhe fica atrás. quanto à sexual, é soberba. uma autêntica leoa que domina a arte da sedução.

se eu não fosse eu, era Sofia.

Sofia vive em mim, no prédio da minha mente. faz parte da minha alma. mas, como ela, inquilinos há muitos, espreitando do alto das suas cortinas membranares coradas de prata.

a rapariga do pijama roxo, que cozinha muffins de chocolate e redige cartas de amor - rídiculas, como devem ser - plantando malmequeres no jardim do seu quintal e colhendo-os para o seu leito de delícias açucaradas.

a pragmática diplomata, sempre muito atenta aos acontecimentos (inter)nacionais. comentadora assídua do panorama político-social actual e crítica assaz da retórica demagógica. muito opinativa; lê, relê, analisa. a mente é a sua pièce de resistance.

a escritora excêntrica. bipolar intelectual, é criativa e sensível. não dispensa o seu chocolate quente e uma manta em dias de chuva. o cafézinho é essencial nos momentos decisivos de inspiração voraz, bem como a caneta ou o seu laptop de estimação. gosta de comida macrobiótica, usa sweatshirts largas e com as mangas demasiado compridas, bem como cabelo sempre apanhado com pequenas cascatas de madeixas desleixadamente atractivas que competem com os seus gigantes óculos-de-massa coloridos.

a rapariga sonhadora. bebe sempre sumo de laranja ao pequeno-almoço com as suas torradas, perfeitamente tostadas, com manteiga derretida. tem demasiadas sweet delusions e ainda acredita que o mundo pode ser salvo de si mesmo. uma caixa de chocolates, uma flor ou um beijo apaixonante determinam o seu estado de espírito.

a dominadora. ela quer, ela tem. o seu poder de persuasão é tão elevado que consegue dar a volta a qualquer situação. é rebelde, destemida e adora cabedal e uma boa discussão. se souberem push the buttons - os botões certos, claro - e a provocarem, assegura-vos a mais louca noite de prazer que terão. é agressiva e manipuladora, mas muito sexy. a autêntica bad girl, off limits.

a nerd. estuda, estuda, estuda. muito concentrada e focada, consegue irradiar charme quando socializa, mas fá-lo tão escassamente que o seu futuro se resume ao profissional - com o maior sucesso - mas, mesmo assim, apenas o profissional. viajante por natureza, percorre o mundo em busca de novos conhecimentos e maravilha-se com as diferenças culturais.

há ainda outros que tais. pessoas mais tímidas, que se escondem do mundo e não saem à rua. fechados nos seus apartamentos mielínicos, sem janelas de receptores que os conduzam para o frenesim do sentir...

se eu não fosse eu, era Sofia.

o problema aqui é que há dias em que parece que saem todos da sua redoma e estimulam a musculatura do meu ser, espreitando do alto das suas sinapses e enovelando-se frente à porta da entrada arterial mais electrizante.




se eu não fosse eu, era Sofia, somente. mas ser-se C. é tão mais louco.

"Sem a Loucura que é o Homem, mais que a Besta sadia, Cadáver adiado que Procria?"
Fernando Pessoa


sexta-feira, 20 de maio de 2011

desabafos de uma rapariga perdida

queria só ter um pouco mais de tempo.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

"you might wake up and notice you're someone you're not"

"if you look in the mirror and don't like what you see you can find out first hand what is like to be me"




nunca se questionaram se a vossa vida era para ser vivida da maneira que a estão a viver?

e uma sensação de "bolas, fodi tudo" que se apodera de mim



#quem é esta pessoa que me roubou a alma?#


terça-feira, 17 de maio de 2011

o medo torna-nos sós.

será favorável e estará escrito?

normalmente os textos tendem a delinear-se a si próprios; não há controlo sobre a tinta que escorre, só sobre a mão que segura a caneta da vida. [e, mesmo essa, às vezes escorrega, esborratando as linhas perfeitas e criando novas reticências no caminho]

segunda-feira, 16 de maio de 2011

o segredo da felicidade é saber cair nas tentações

sou um mau partido. sou mesmo.

sou um mau partido porque falo. e muito. falo, falo, falo. dou a minha opinião, sempre. gosto de uma boa discussão e odeio que me digam o que pensar. sou um mau partido porque tenho ideias próprias e critico o que me rodeia.os homens não costumam gostar disso, então sou um mau partido.

sou um mau partido porque não faço tudo o que me mandam, porque sei bem o que quero da vida. porque vou ter uma carreira, porque sou minimamente inteligente, porque não vou ficar fechada em casa tal doméstica a ver os programas da manhã na TVI.

sou um mau partido porque adoro política. e ciência. e todos sabem que uma mulher assim é perigosa.

sou um mau partido porque adoro cozinhar. e comer. e limpezas. tenho a mania da organização. sou um mau partido porque iria cozinhar todos os dias refeições saborosas e iria arrumar a casa mesmo após um esgotante dia de trabalho.

sou um mau partido porque tenho sentimentos. porque não sou constante, porque sei o que não quero e mesmo assim não sei o que quero. porque sou falível, ingénua e humana.

sou um mau partido porque quase não durmo. envolvo-me em tudo. luto pelos meus ideias. faço muita coisa ao mesmo tempo. arranjo tempo onde não há. perco dias de vida e horas de sono.

sou um mau partido porque não iria dedicar 24h/dia à pessoa que estivesse comigo. porque tenho mais que fazer. mas que iria estar 24h/dia sempre com ela. paradoxo hein?

sou um mau partido porque quando precisam perco o meu dia, por eles, por todos. quando estão doentes cozinho, lavo, trato, cuido. quando estão tristes animo, falo, acompanho, compreendo. quando simplesmente estão...largo tudo e vou.

sou um mau partido porque escrevo. porque a medicina é a minha vida. porque quero demasiado fazer tudo a todos.

sou um mau partido porque não sou perfeita. não tenho o corpo perfeito. vou ao ginásio e faço dieta e mesmo assim não sou perfeita. não sou lindíssima e não ando sempre arranjada. não sou perfeita porque não arranjo as unhas todas as semanas nem vou ao cabeleireiro todos os meses. não sou perfeita porque não ando sempre de saltos altos. sou um mau partido porque sei arranjar-me mas também sei ser comfortável e adequar-me à ocasião, ao local, à pessoa.

sou um mau partido por querer uma noite especial, romântica, "aquela noite". e, mesmo assim, sou um mau partido por saber e querer ser arrojada. por gostar de um bom despique. por gostar de joguinhos. por adorar sensualidade e um copo de vinho. por ser bruta e doce ao mesmo tempo.

sou um mau partido porque sim. porque claramente vou sempre ser. porque não sou ideal.

é, sou um mau partido.

domingo, 15 de maio de 2011

inspiração como fôlego [coisas que eu devia ter escrito#2]

"Às vezes penso o que leva, a mim e às outras pessoas, a esconder das outras o que, na realidade, são e sentem. Alguns diriam que é a vergonha, a possibilidade de serem invadidos por olhares rudes e avaliadores até ao final das suas vidas. Ou talvez seja o medo de se sentirem vulneráveis pela primeira vez na vida, depois de baixarem as muralhas que ergueram durante anos e anos, que tão prudentemente souberam manter. Ou será o interesse e a conveniência de uma vida melhor, o desejo pelo luxo que triunfa sobre a sinceridade e o respeito por nós próprios, ao ponto de permitirmos que nos usem e abusem até perdermos, de todo, qualquer noção de ser? Ou, por outro lado, vivemos aterrorizados com a ideia de nos perdermos no meio do entusiasmo que é, finalmente, mostrar ao Mundo a nossa verdadeiras potencialidade – que tão ultrapassa as banais características que nos descrevem à vista dos outros?
Aceitar estas possibilidades acarreta, para além do mais, admitir as nossas fragilidades. Se temos vergonha, somos idiotas por achar que não temos o direito de ser nós mesmos e que nos devemos ajoelhar para a sociedade. Se nos sentirmos vulneráveis, somos simplesmente fracos de espírito e incapazes de nos mantermos de pé. Se apenas queremos comodidade, somos desprovidos de sentimento. Se tememos as consequências da nossa originalidade, somos apenas cobardes. É quando penso nisto que deixo de acreditar em Deus. Pergunto-me qual seria o interesse em criar e suportar criaturas como estas, tão reles e parasitárias. E, se toda esta lenda for verdadeira, acho que Deus deveria ter pensado duas vezes antes de descansar ao Domingo.
Ao pensar nas horas que passo na privacidade do meu quarto… O que faço, o que digo, o que penso, o que vejo… Agora sei que é todo esse conjunto que, embora desvanecido no meio da rotina, dos problemas e do convívio com os outros, me diz quem sou na verdade. A seguir, levanto-me e olho para o espelho, e tento responder à pergunta que ele me faz:
E então, o que é que escondeste hoje?

A resposta, essa, é mais simples e complexa do que parece.


Tudo."
J.



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porque há mais para descobrir sobre cada um de nós; mais sob a superfície. obrigada pela lufada de ar fresco, J.

maus hábitos

tenho uma tara qualquer por bad boys. rapazes rebeldes que quebram as regras ou simplesmente as ignoram. rapazes que só trazem problemas e que nunca seriam aprovados pelos meus pais. rapazes que são capazes de me empurrar à força contra uma parede e insultar-me e, mesmo assim, conseguir que se faça amor com eles depois. rapazes de barba por fazer, com maus hábitos e muita lábia.

feliz ou infelizmente, continuo a apaixonar-me mais pela personalidade e por conversas inteligentes. se assim não fosse julgo que estaria condenada a uma vida de deboche.

sábado, 14 de maio de 2011

fala-me ao ouvido enquanto me agarras pela cintura


nunca acreditei muito nessas tretas holístico-pseudo-científicas: os horóscopos. aliás, não acredito. mas também não acredito na palavra 'nunca' e gosto de estar disposta a novas experiências. por isso, noutro dia, deparei-me com a seguinte frase:







em vez de, tal como faço sempre,  ignorar , decidi prestar um pouco mais de atenção - ler com olhos de ler-. e apercebi-me de um facto curioso: não só julgo que isto é verdade, como também outras citações o eram. claro que, no meio de tanta bipolaridade da minha pessoa, seria difícil não acertar e, sim, há coisas que são totalmente antagónicas à minha pessoa. mas, neste caso, confesso que tocaram no âmago da questão, ao de leve é claro - uma espécie de 'afagar o ego com a ponta do dedo' - mas tocaram e eu senti.

já há algum tempo atrás me questionava em relação a esta área crucial da minha personalidade. se se me afigura óbvio que o prazer é muito importante, não deixo de perceber que cada vez mais o caminho mais fácil para me estimular é...a mente. o meu cérebro. com isto não digo que não reaja a avanços físicos (porque, acreditem em mim, reajo - e muito! -, em especial se envolver carícias no pescoço, uns sopros leves de ar na bochecha, um sussurro ao ouvido e as chamadas festinhas. é isto tudo e conversa explícita - nunca consigo resistir) mas prefiro uma conversa intelectualmente estimulante salpicada com uma pitada de irreverência e discórdia. porque eu adoro, mas é que adoro mesmo, "picanços" - toda a tensão criada por uma boa discussão e troca de ideias excita-me mais que qualquer conjunto de músculos bem definidos e torneados num corpo perfeito.

porque, sabem, é tão sensual quando podemos discordar de forma inteligente do outro acabando encostados a uma parede, com a respiração ofegante, selando um pacto de tréguas com a união do corpo.



inspiração numa gota de suor

"Não o fazes por mal, mas também não me queres bem. Eu penso demais, mas tu pensas de menos. O problema não é só meu, não, apesar de eu o dizer. Eu não digo o que sinto, mas tu não sentes o que dizes. És a antítese mais dura e crua que já vi, já ouvi, já senti. És o fogo mais frio, quando preciso de calor. És a mais forte dor. Porquê? Que queres de mim? amor? Dou-te a verdade nua… Eu odeio amar-te."
RP.




alike feelings



porque não quero ser eu no futuro a falar sobre "the one who got away"

"se fossemos tão lineares e previsíveis, qual seria a diversão? o melhor resulta da tentativa às escuras. vem do inesperado, da surpresa e da possibilidade que havia de não ter acontecido. arrisca."

hoje disseram-me isto. mas porque é que têm todos de ser tão perfeitos menos eu?

o hábito das conversas de café

C. - "obrigada por sempre perceberes o que eu acho. anyway, eu também não procuro isso com o X. é estranho mas, sabes, para mim ele podia dar-me tudo o que preciso numa relação, mas mesmo assim quero ficar como estamos. porque podemos andar nisto para sempre e nada o pode estragar e não é vinculativo. e é melhor. e julgo que ele acha o mesmo. numa espécie de: 'ok, esta coisa é o tipo de relação mais séria que vou [consigo] ter'. mas sem ser nada e ser tudo. makes sense? talvez."

R. - "sim. caraças. entendo-te tão bem e é ridículo. porque aposto que alguém que olhasse para o que acabaste de dizer nos chamava malucos. for sure"

C. - "mas percebes?"

R. - "entendo bem. e acho que se estás super bem com o X, e nenhum quer arriscar perder o que tem...bem, acho natural."

C. - "pois. e eu acho que será assim forever. e sabes que mais? (weird part) até gosto. normalmente sentiria que falta algo e normalmente (dada a natureza fugaz das minhas relações nos últimos tristes tempos, seria o oposto do que estaria agora a faltar). porque agora tenho a parte mental toda. tudo. a ligação. mas sem a parte carnal que costumo ter. weird. como se desse para separar e ter pessoas diferentes nas diferentes 'áreas'. jesus,não faço sentido nenhum"





the bond.
eu diria que esta palavra diz tudo.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

fool me once - shame on you; full me twice - shame on me

"Algo se passa . Às vezes as pernas tremem como se quisessem falhar. Uma espécie de tontura. O coração acelera - algo semelhante a ansiedade, mas bom. No estômago parece que algo se movimenta e tem vontade própria. Já há indicações do diagnóstico."


mas eu, ao contrário do mundo, não gosto. prefiro prevenção a diagnósticos precoces.

paradoxos da minha mente

"Ela disse que também já não me amava, mas que gostava de mim e que só por isso não me havia ainda contado nada. Para não me magoar, disse ela. Eu disse-lhe que também gostava dela. Que uma pessoa não deixa de gostar da outra assim de um dia para o outro. Que, ás vezes, quando nos sentimos magoados, parece que já não gostamos; que em vez de amar, odiamos. Mas que, quando a dor passa, o amor regressa. Um amor pequeno e diferente. Mas bom."

in As mulheres deviam vir com livro de instruções, Manuel Jorge Marmelo
 
 
ando demasiado introspectiva.

leitora de almas

transcrevendo:

"A morfina psicológica do ar que te rodeia ataca-me sempre todos os músculos e faz a minha alma tombar. Na mão trazias um pequeno livro de páginas já amarelas, desgastado pelo tempo. Disseste-me que podia cheirá-lo, sabendo ser o vício de qualquer leitor. Estávamos separadas por uma distância mental enorme, um abismo psicológico. Este bilhete era só para te deixar saber que foi a primeira vez que me soube tão bem estar tão afastada mentalmente de alguém, e ainda assim a sentir-te tanto em mim."


um dia vou saber ler.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

não sei se já bebi demais ou se não bebi o suficiente...

"A vida é a hesitação entre uma exclamação e uma interrogação. Na dúvida, há um ponto final."

Bernardo Soares [Fernando Pessoa], in Livro do Desassossego



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ocorreu-me que odeio sentir-me vulnerável. e muito menos exposta. daí odiar 'categorizações' e sentir-me estereotipada.  a diferença está em querer ser igual a nós mesmos e não em padronizar-nos por aquilo que é diferente.




{um dia, estas ideias vão ganhar forma e materializar-se;
um dia, alguém (me) vai perceber}


coisas que eu devia ter escrito#1

quem sente exprime?

consistência firme, cor avermelhada

peso: aumenta gradualmente com a idade, é um pouco mais pesado no homem que na mulher

[engraçado como foi preciso estudar anatomia para me questionar]

sempre pensei que as mulheres tivessem um coração maior: mais capaz de 'sentir', de amar. ou, pelo menos, assim mo transmitiram. mas, as evidências são bastante claras - o coração nos homens é mais pesado.
eu sei, com isto não quer dizer 'maior', 'mais capaz de amar'. quer apenas dizer que a sua massa é superior. mas 'mais pesado' nunca antes me pareceu tanto 'mais sofrido' como agora.
mas, poderá ser? 'mais sofrido'? quem sofre, sente - é premissa assente. por isso, se for realmente 'mais sofrido', terei de concluir que 'sente mais' ou, pelo menos, 'mais intensamente'.
então, porque me é tão difícil ver isso, perceber [percebê-los]?
julgo ser impossível distinguir entre os que não sentem (e, por isso, são as chamadas 'variações anatómicas') e os que sentem mas não conseguem exprimi-lo (ou serão estes as excepções?)

"distingues pelo tempo que te demora a dizer o que sente ou sentiu. eventualmente, quem sente, confessa-o. de um ponto de vista mais prático notas uma alteração no discurso da outra pessoa quando ela (res)sentiu algo. mesmo que não diga o que é. ou que fale da mesma maneira, a forma como as conversas progridem é sempre reveladora."
faz algum sentido. mas, terei eu o tempo necessário para averiguar? pior, saberei fazê-lo?

entendo, contudo, como poderia um sentimento evoluir e 'crescer' - tornando um coração pesado - se assim for; guardar as coisas nos confins do nosso baú vital custa - e muito! - e, isto, pesos à parte, é transversal a homens e mulheres.


surge, no entanto, uma outra ideia.
"nao distingues - são uma só coisa. como é obvio, todos os homens sentem; a diferença entre eles e as mulheres é que poucos sabem (ou têm a coragem) de mostrar o que sentem - vivem demasiado vidrados nas possíveis consequências do que possam sentir. no fundo, no fundo, são bem mais complicados do que as mulheres"

'mais complicados'? então tiram-nos o recorde de 'maior' coração e agora também o de maior complicação?
nada faz sentido. sempre pensei nos homens como simples. se bem que a condição humana seja para a negação disso mesmo (isto, claro, se tal coisa como uma 'condição humana' existir). mas talvez sejamos nós que os simplificamos; ou, talvez, sejam eles que se (nos) compliquem demais...

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"O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou já diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente?"
Bernardo Soares [Fernando Pessoa], in O Livro do Desassossego



e, no final, pergunto-me se algum dia irei saber distinguir... 

domingo, 8 de maio de 2011

uma grande lata


agora é um bocadinho tarde demais para isso; "quero-te mais uma vez", dizes.


o prazer que me dás não compensa a fraqueza de me ceder a ti,
nem agora nem nunca.


suspiros perdidos

"ele é uma pessoa diferente, é miseravel porque assim quer. ele não acredita no amor, acha-se demasiado especial ao ponto de pensar que é a unica pessoa no mundo incapaz de amar. vive afogado em nostalgias como se o presente não tivesse nada para lhe oferecer e a vida não fosse mais que cinzenta.
ele é o que quer ser: miserável"
 
e acho que, com isto, descreveste muito da minha realidade e dos que nela habitam.
 
 

ridicularidades femininas

porque toda esta conversa de malmequeres perdidos num diz de nuvens cinzentas me ajudou.

D. - "acho que sofremos todas [do mesmo mal - não saber escolher o homem]"
C. - "ou isso ou eles são todos idiotas. começo a achar cada vez mais que sim"
D. - "lá isso são! ou entao nós é que somos demasiado sentimentalistas"
C. - "não, eles também são. só que fogem disso como quem foge de um monstro de 7 cabeças e preferem fingir do que admitir o que sentem e, sei lá, parecer mal"
D. - "houve alguem que me disse que eu era retrógrada e ingénua por acreditar em príncipes encantados. que na vida tudo se resumia a prazer"
C. - "também já me disseram isso, mas, sabes, há pessoas que gostam de magoar as outras [não digo que o prazer não governe as coisas, mas não é o único factor.]não sei deve dar-lhes um gozo qualquer. mas essa pessoa nunca vai ser feliz"
D. - "tens razão, ele nunca vai ser feliz. mas tambem acho que é porque não quer. enfim, magoou mas abriu-me os olhos"
C. - "não sei. eu cá acho que talvez quem não vai ser feliz sou eu. devia ser mais assim, mais despreocupada. mas parece que quem erra sempre sou eu. com todos."
D. - "podes sempre tentar de novo. não penses que condenaste a tua vida inteira só porque houve uns tempos em que não conseguias ver com clareza as coisas (porque estavas demasiado absorvida noutros sentimentos). achas que é assim tao impossivel? eu acho que as pessoas têm memórias bem curtas. procurar incessantemente é prejudicial, deixamos de viver. vive a vida, ele há-de aparecer e quando aparecer, arriscas e vês no que dá."
C. - "penso demais em tudo."
D. - "eu às vezes também acho que sou demasiado cerebral; chego a invejar as pessoas que fazem tudo sem cabeça e talvez seja esse o nosso problema. se deixássemos as coisas andar quem sabe se tudo não seria diferente"
C. - "mas ao mesmo tempo sinto que não fazer nada é igual a não ter nada. porque não tentei"
D. - " lá está...mas deixar de pensar não implica deixar de tentar. tentas sem pensar, tentas simplesmente. sem ponderar, sem pensar nas consequências, ou nos mil fins trágicos e felizes possíveis"
C. - "sim. ultimamente é o que tenho feito. deixar-me levar. a ver vamos onde isto pára." 

quando tudo o que me invade o pensamento é "qual será o próximo insulto?" seguido de um breve sorriso incapaz de ser contido

Permiti-me, num outro dia, voltar àquela sensação romanesca, utópica, quimérica quase, de adolescente semi-apaixonada. Quando sentíamos aquele friozinho na barriga (impossibilidade fisiológica) e borboletas esvoaçantes sempre que, por sorte, a miragem daquela pessoa se nos invadia o caminho ou o pensamento.

"Oh meu Deus, ele está ali!" - diria eu à minha amiga - "Que é que eu faço????"
"Bem, acena-lhe, pode ser que ele retribua!" - e assim o faria. Se ele retribuísse o meu dia ilumar-se-ia de tal forma que nada mais o poderia estragar; como se aquele simples gesto insignificante fosse, na realidade, o que de mais significativo há.

Todo o jogo de sedução ou 'aqueles-primeiros-dias-em-que-sentimos-qualquer-coisa-de-diferente-e-os-risinhos-são-constantes' são a melhor parte, mesmo hoje em dia. Quando o sentimento ainda não evoluiu (nem se construiu), quando há uma simples atracção leve ou um interesse mais acentuado e nos permitimos aqueles dois dedos de conversa e olhares distantes, quando fazemos piadas sem nexo e insultamos de forma meio a brincar, meio a sério a outra pessoa só mesmo para ver no que dá.
É o chamado 'início' - tanto pode ser o início de uma grande amizade, como de um grande amor; mas a maior parte das vezes é apenas o início de nada ou, no máximo, de uma paixão fugaz.

Mas, dizia eu, noutro dia permiti-me sentir isto no expoente máximo; desliguei o botão "mulher madura, ou a tentar sê-lo" e deixei-me ir - lá acenei à minha miragem. Deixem-me que vos diga uma coisa: foi a melhor sensação dos últimos tempos. E não há nada ou tudo futuro que possa estragar aqueles 5 segundos de perfeição, nem os restantes dias de acidez falada com o intuito de entrar no jogo e deixar-me ir.

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"Dois, três dias de semelhança de princípio de amor...
Tudo isto vale para o esteta pelas sensações que lhe causa. Avançar mais seria entrar no domínio onde começa o ciúme, o sofrimento, a excitação. Nesta antecâmara da emoção há toda uma suavidade do amor sem a sua profundeza - um gozo leve, portanto, aroma vago de desejos e, se com isso se perde a grandeza que há na tragédia do amor, repare-se que, para o esteta, as tragédias são coisas interessantes de se observar, mas incómodas de sofrer. O próprio cultivo da imaginação é prejudicado pelo da vida. Reina quem não está entre os vulgares.

Afinal, isto bem me contentaria se eu conseguisse persuadir-me que esta teoria não é o que é, um complexo barulho que faço aos ouvidos da minha inteligência para ela não perceber que, no fundo, não há senão a minha timidez, a minha incompetência para a vida."
Bernardo Soares [Fernando Pessoa], in Livro do Desassossego

uma brisa que me sopra ao ouvido


e é quando me dizes jamais - de forma indirecta -  que sei que tenho de te ter.

sábado, 7 de maio de 2011

gosto de gostar, mas gosto muito mais de demonstrar que gosto

farta de rodopiar sempre na mesma brisa e regressar sempre ao ponto de partida, esse local onde nem é Primavera nem Inverno e o frio parece cristalizar os sonhos.

"ela queria...", pois também eu. mas a diferença entre nós, dois pequenos e insignificantes seres deste universo vasto de imensidão, é que ela tem, teve, terá.

e eu? eu sou, apenas. o verbo 'ter' fugiu de mim como eu fugi da vida.

aquele beijo molhado que nunca daremos

tenho os pés descalços em mámore, como tenho as pernas nuas em cetim. a chuva cai e fico a pensar se o seu som na vidraça é calmante ou curioso. chego à conclusão que não é nenhuma das coisas; chego à conclusão de nada.

e tão frequentemente me queixo de pensar demais que quando não quero pensar de todo só penso no que não devo. e nada concluo. nunca concluo nada. jamais irei concluir algo.

sim, odeio facilitismos. mas por vezes dava tudo para que as coisas fossem simples e a solução óbvia; só às vezes.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

pensamentos com os quais me poderia identificar

"Difícil não é lutar por aquilo que se quer e desistir daquilo que mais se ama. Eu desisti, mas não foi por não ter coragem de lutar, foi por não ter mais condições de sofrer." Bob Marley

mas eu não desisto.

1+1=2?

Pic

é engraçado como as coisas funcionam. quando menos esperamos - pimbas! - aquele clik regressa. Não sei se concordo com a supracitada...mas uma coisa é certa "mais vale um pássaro na mão que dois a voar"

quarta-feira, 4 de maio de 2011

tardes de chuva em dias solarengos

A vida é um mistério.

Não sei bem que diga, sabem. Perdi algo que não era meu para perder mas que julguei que sempre estaria ali. E agora nada faz sentido. Até a minha irreverência de não-utilização de maiúsculas e pontuação evidente me parece descabida hoje.

Preocupo-me demasiado com ele. Demais mesmo. Mas é isso que os amigos fazem.


"In the end, we will remember not the words of our enemies, but the silence of our friends" 
 Martin Luther King

segunda-feira, 2 de maio de 2011

brisas do mar

um dia vais saber. vais saber que povoas os meus sonhos, ainda que só nos últimos tempos, ainda que muito ligeiramente, tal brisa. mas povoas.

e, contudo, és tão inatingível e eu sou tão infantil comparada contigo.

domingo, 1 de maio de 2011

dúvidas existenciais profundas #2 - Love. Want. Need.

Amo X, quero Y, mas preciso de Z.

e depois não me venham dizer que isto de viver e gostar e andar por aí com risinhos e conversas de café polinizadas com algum açúcar é fácil.

#como raio vou sair desta confusão?#

segunda-feira, 25 de abril de 2011

novo lema de vida (a adoptar em tempos de crise emocional)

‎'Se você ainda não encontrou a sua metade da laranja, encontre a metade do limão - adicione vodka, açúcar e gelo' e deixe-se ir.


dúvidas existenciais profundas

deveria eu tentar ser quem não sou?

Cravos ao luar, flores desse povo de 'saudade'

queria relembrar o 25 de Abril e homenagear algo que nunca se deve esquecer.
queria transcrever textos iluminados e históricos.
queria colocar aqui poemas e canções de Ary dos Santos, Zeca Afonso e outros grandes que tais.
queria conseguir escrever o melhor texto de sempre sobre a Liberdade, com L maiúsculo, um que a todos comovesse e todos fizesse chorar ou rir, mas acima de tudo pensar no que realmente importa.
quiçá, queria colocar imagens bonitas e alusivas ao tema, em jeito de memorial (no verdadeiro acesso da palavra).
queria transbordar esta página com links para vídeos, fotos e afins memoráveis.
queria que este fosse um texto bonito e inspirador.



mas, no fundo, o que eu queria mesmo era que não se esquecessem.

alter-ego #2

"é pra amanhã deixa lá não faças hoje, porque amanhã tudo se há-de arranjar"

 é isto que erradamente me ecoa no cérebro.

alter-ego #1

sente-se mal por não ter trabalhado nada nos últimos tempos. sente-se mal por ter tanta mas tanta tanta coisa para fazer.sente-se mal por se sentir cada vez mais ignorante. sente-se mal porque viu um filme que a perturbou. sente-se mal por ter perdido tempo a ver esse filme. sente-se mal porque já não consegue escrever como dantes. mas mesmo assim dá-se por feliz por poder sentir-se mal - é sinal que sente, ainda.

domingo, 24 de abril de 2011

amor? era uma água tónica com limão e duas pedras de gelo

alguém me disse para eu me deixar ir. «aproveita e deixa-te ir; não planeies. apenas, vai» ou qualquer coisa do género muito ao estilo nómada.


fiquei a pensar nisso. em deixar-me ir. com(o) o vento e, por qualquer razão, quero. o mais estranho aqui é não conseguir - nem ir nem ficar nem nada. parece que parei. deu-se um completo shut down (ou talvez tenha sido mais uma hibernação em tempos de frio emocional). seja o que for que tenha acontecido, mudei. não consigo desenovelar-me. não sei se me estão a compreender bem, mas é algo estranho...como se estivesse presa numa realidade paralela em sonhos e só consiga viver adormecendo. e, às vezes, nem isso.

o amor NÃO é uma estrada de sentido único, nem uma sem saída...e muito menos uma de sentido proibido. infelizmente, parece-me que o código foi esquecido e governa a lei do mais forte, i.e., de quem se pode dar ao luxo de não querer entender o que está mesmo à frente dos seus belos e ternos olhos castanhos.



"Porque, no fundo, tudo aquilo de que precisas é um corpo para respirar e um mundo para viver. Pode ser uma merda, pode não valer a ponta de um corno. Mas é o mundo: o teu mundo. Aproveita-o. E respira. Até que te falte a respiração."
Pedro Chagas Freitas

sábado, 23 de abril de 2011

«a porta é a serventia da casa»

não odeiam quando alguém mete conversa com vocês e depois de uns 'olás' aqui e uns 'está tudo bem?' ali simplesmente se calam?

se não me queriam dizer nada não começassem a falar. é que, assim, fico a pensar que têm algo para me dizer e não conseguem (ou então que são simplesmente otários).

----prefiro uma boa conversa aleatória e extremamente divertida, sem nexo nenhum contudo, mas cheia de personalidade, do que o silêncio ou a pequenez de incomodar para trocar meia-dúzia de cumprimentos fúteis.----



[desculpem-me. ando com uma generalizada falta de paciência para tudo.]

como foder a vida - parte 1

o mundo é um chulo. e nós somos as putas - baratas diga-se, porque pagar caro, isso, está de chuva (mais ou menos como estes último dias)

 gostava de saber porque é que sabe sempre tão bem apunhalar meia dúzia de senhoras da vida pelas costas quando o negócio vai bem.

sim, porque quando vai mal a opção é a de meia-dúzia de hematomas e arranhadelas - como quando damos um par de estalos bem dado e merecido a alguém que fez merda -, mas quando vai bem ai de nós que continuemos pelo nosso caminho de esperanças e felicidade cristalizada

 #hoje consegui! a vida corre bem, deu lucro. tudo são estrelas. finalmente posso ir para casa sozinha e sem cheirar a látex#

mas desengane-se quem pensa que isto resolve o que quer que seja porque é quando menos esperamos, quando estamos mais seguros e ao mesmo tempo mais vulneráveis, na nossa cristalizada felicidade aparente, que o mundo nos cai em cima e nos fode bem fodidas.

«fuck» diria eu quando me apercebesse que o sonho acabou e que tenho de voltar à miserável e triste existência do negócio da 'compra e venda' a retalho, de cliente em cliente, infinitamente.

talvez, um dia, sejamos capazes de nos afastar dos sonhos que nos prendem à obrigação de pertencermos ao sindicato dos trabalhadores do comércio tradicional.

talvez um dia aprendamos a dar valor ao que temos e, assim, façamos uma melhor gestão dos recursos, sem precisarmos de pedir empréstimos por esse mundo fora a todo e qualquer chulo que vejamos.
#independência#


LIBERDADE

"às quantas ando?"

e com tanta perdição, tanta mudança, tanto desejo!, não me tinha apercebido que mudámos de mês.

ventilação literária

nunca tive problemas de inspiração. nunca. (expiração já não digo tanto)

escrever sempre foi para mim como...respirar. pequenas gotas de tinta que escorrem tal moléculas de oxigénio que se difundem em mim, por mim e para mim. (tinta é como quem diz dados digitais, numa espécie de corrente de ar que invadiu o meu espaço e a minha corrente sanguínea).

mas ultimamente perdi-me. já não tenho nada para dizer. ou melhor, tenho mas não quero. porque sempre que falo, sempre que me mostro, sempre que penso, é demais. tudo desaba.
e nem uma brisa cheia desse gás essencial me consegue salvar de mim própria.

quarta-feira, 30 de março de 2011

#because age is just a number and still i have a lot to learn#

then again, i seem to get everyone.i seem to have already felt like everyone does.

and still no one gets me.

because i'm always one step ahead -  i'm an old soul trapped in this freaking stupid young damaged mind.

segunda-feira, 28 de março de 2011

badabim badabum

a vida é um fio de cristal num tapete de mármore

domingo, 27 de março de 2011

vou tentar quiçá não levar as coisas tão a sério e talvez regressar aos meus dias áureos de sarcasmo irónico em tom joco-satírico

porque mesmo sendo como sou, o humor é a melhor receita de sempre. e rir? "rir é o melhor remédio"



quero voltar ao ponto de partida (?)

e tivesse eu a coragem dos homens comuns, esses heróis do dia-a-dia que nada pedem em troca senão um simples sorriso

re-birth: the beggining

falo demais. penso demais.

julgo que sou daquelas pessoas que se entregam completamente. numa espécie de "podes ficar com tudo. com o meu corpo, a minha alma, tudo o que tenho. podes ficar mesmo com tudo. até à exaustão - à minha exaustão." e, depois, quando esse dia chega, a única maneira de curar o cansaço existencial, de não me perder totalmente, é interessar-me por outra pessoa. para curar - ou tentar regenerar o máximo possível dos restos que o anterior deixou. restos sim, porque quando se dá tudo, quando a entrega é total, e depois pedimos a sua devolução, nada volta como era. ficamos diferentes, mudamos.

#já perdi demais de mim#

ultimamente tenho acordado e não tenho sentido nada. perdi-me, penso eu. é como se um vazio tivesse ocupado esse lugar do pensamento em demasia, dos sentimentos em demasia, das palavras em demasia - não que use palavras a mais, apenas o uso excessivo da palavra. este vazio, este não sei bem quem sou, não encontro o meu equilíbrio, aquilo que me define, é pior do que a morte. viver assim é inviver.

julgo que talvez tenha de chegar ao caos, à destruição, para recomeçar: voltar ao início. se bem que, na verdade, nunca voltamos à casa de partida nem recebemos os 200 euros devidos sempre que por lá passamos. não! porque ficam marcas, escaras do passado. o que já foi, já era! sim, mas como pretérito imperfeito que é, o 'era' continuará a ser indefinidamente, pois nunca 'foi', nunca se completou.

#fugir#


não sei o que me espera. desta vez não sei mesmo. porque não sei de mim mesma. indeterminadamente absent. é isso.

"ainda te amo" "então, se me amas, sempre que pensares em mim envia-me luz e amor. e, depois, esquece"

tenho tentado. não sei bem o quê, [esquecer?]. mas tenho. "o teu problema é mesmo esse! tentar! não tentes. esvazia a mente" - oh, mas eu sou um fluxo constante de pensamentos, gestos, palavras faladas e repetidas! sou tão mas tão transparente que mais pareço papel vegetal: translúcido e perfeito para um decalque da vida de alguém.

#um jardim de camélias perfumadas salpicado por um gotejante orvalho matinal parece-me o paraíso neste momento#

escrever: pensei que ia ajudar-me a perspectivar as coisas. as circunstâncias. o porquê de tudo. (porque é que não posso «Comer. Orar. Amar» e ter um final feliz?; bem, ainda nada acabou) mas não, escrever, ler, gritar, fugir {AI!} nada disso ajudou. nem empanturrar-me. nem toldar a mente e o espírito com bebida. nem deixar tudo e partir.

"and I'm in a crowded room screaming at the top of my lungs and no one even seems to listen, no one even seems to care"

a fragilidade de um vaso capilar é assustadoramente grande e, mesmo assim, são vasos como estes que nos permitem viver. talvez eu, na minha fragilidade aparente, seja mais forte do que os olhos antevêm. não gosto de pedir ajuda *mania da independência* mas desta vez peço. não sei bem que ajuda nem a quem, mas peço.
porque me perdi e perdi o rumo e esta não sou eu. não tenho nada em comum com ninguém, com que devia ter, com quem queria ter.

mesmo que desse a volta ao mundo, fizesse 'a' viagem da minha vida, meditasse, encontrasse o que quero encontrar, descobrisse 'o' segredo, mesmo que fizesse as malas e partisse, não iria ser feliz.

(já se depararam com aquele momento em que pensam na vossa vida e a única coisa que sentem é o que raio estou aqui a fazer? como é que me deixei levar até este ponto? aquela ideia de que temos tudo e, mesmo assim, não somos felizes)

e, no final disto tudo, envio-te apenas luz e calor e amor. sem nunca te amar de verdade. porque não preciso de dizer que te amo para me amar a mim mesma.

sexta-feira, 25 de março de 2011

às vezes basta estar.

afiguram-se tempos negros, para todos. a humanidade está lentamente a corroer toda a sua glória num ímpeto auto-destrutivo magnífico - uma espécie de 'destruir depois de ler' como se vê com as mensagens ultra-secretas nos filmes de acção e mistério.

mas, mesmo assim, e apesar de reservar cerca de 35% do meu cérebro a preocupar-me com o mundo (a desejar que um rasgo súbito de cognição ponderada entre o racional e o emocional invada toda uma espécie de mentecaptos superiores) não deixo de usar outro tanto para fazer aquilo que sempre faço: uma auto-reflexão idiota e pouco ponderada - nunca auto-comiseração, isso jamais! - mas sim um uso pouco coerente das minhas faculdades intelectuais ao serviço de Sua Majestade o Sistema Límbico e as suas Emoções que mais parecem fruta cristalizada num bolo rei ressequido após uma dessas épocas natalícias atribuladas (ou uns electrões incrustados no modelo do 'pudim de passas' de Thompson).

por mais olvidável que tudo isto seja - uma insignificância rítmica do fluxo de palavras que caracteriza o meu débito pessoal - fiquei a pensar que são as coisas mais pequenas que mais nos magoam. porque na realidade, tudo o que seja de maiores dimensões é, a priori, mais fácil de se antever e, quando nada o previa, foge simplesmente às leis naturais do universo.

Sinto-me afastada de tudo. de todos. de vocês. e não sei bem porquê. mas sei que sinto.

a minha frequência emotiva está a decair. a continuar assim, a próxima avaliação dos parâmetros irá afigurar-se conclusiva para uma bradicardia psico-afectiva extrema.

#The day breaks not; it is my heart#

segunda-feira, 21 de março de 2011

"Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"

queria escrever aqui uma carta, para ti. aliás, para várias pessoas. mas não consigo. já tentei pensar porquê. porque é que não consigo? mas aparentemente o meu cérebro recusa-se a colaborar comigo, como aliás tem feito ultimamente.


queria fazer qualquer coisa do género:

#Querido xxx,


"Desconfio que ainda não reparaste
Que o teu destino foi inventado
Por gira-discos estragados
Aos quais te vais moldando...


E todo o teu planeamento estratégico
De sincronização do coração
São leis como paredes e tectos
Cujos vidros vais pisando...


Anseio o dia em que acordares
Por cima de todos os teus números
Raízes quadradas de somas subtraídas
Sempre com a mesma solução...


Podias deixar de fazer da vida
Um ciclo vicioso
Harmonioso ao teu gesto mimado
E à palma da tua mão..."


Mas pensei que transcrever não seria suficiente, apesar de verdadeiro. Peço desculpa. peço mesmo. por te ter feito tudo e nada ao mesmo tempo. por não ter a coragem de te contar. por não saberes. não sabes. porque nunca te vou dizer. nunca hás-de saber que és tu que povoas os meus sonhos frágeis e quebradiços tal verniz estalado.


"Desculpa se te fiz fogo e noite
Sem pedir autorização por escrito
Ao sindicato dos deuses...
Mas não fui eu que te escolhi.


Desculpa se te usei
Como refúgio dos meus sentidos
Pedaço de silêncios perdidos
Que voltei a encontrar em ti..."


Pensei então que devia quebrar esta falácia com outra transcrição, algo do género:
"Trocámos muito mais que um olhar
Tanto
Que achei que podia dar
Aos segredos que dizias guardar", ainda que, a bem ver, um rol de segredos tens tu. tantos. e nada me dizes. e eu apesar de te dizer os meus, alguns, nunca tos direi todos. mas isso é bom, certo?
Por isso, virei-me para outro lado e constatei que não sei falar. é que não sei mesmo, repara:
"E soubesse eu artifícios
de falar sem o dizer
não ia ser tão difícil
revelar-te o meu querer...

A timidez ata-me a pedras
e afunda-me no rio
quanto mais o amor medra
mais se afoga o desvario...


E retrai-se o atrevimento
a pequenas bolhas de ar...


E o querer deste meu corpo
vai sempre parar ao mar...", não, não sei mesmo falar de amor.


Talvez, uma nova estratégia quiça:
"Só pra dizer que te Amo
Não sei porquê este embaraço
Que mais parece que só te estimo.


E até nos momentos em que digo que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
As palavras custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir.


O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu."


Penso, enfim, que nem assim lá ia(s) porque não irias perceber - "Devia ser como no cinema, A língua inglesa fica sempre bem, E nunca atraiçoa ninguém."


Deixo então um pouco de mim, aqui.


"Ainda magoas alguém
O tiro passou-me ao lado
Ainda magoas alguém...

Se não te deste a ninguém
Magoaste alguém (...)"
Mas a mim não me passou ao lado.

sabes, um dia vais saber. um dia vou-te contar. quando não precisar de uma caneca de chocolate quente a fumegar para me acalmar a garganta inchada e a voz rouca de tanto tentar contar-te.


Penso contudo que Fernando Pessoa concorda comigo, ora repara:
"O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.


Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer


Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!


Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!


Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..."

A diferença é que tu és um 'ele'- sim, picuinhas com os pronomes pessoais - mas de resto, oh de resto!, tudo se me afigura igual.

Julgo ser tudo. não disse, como vês, nada do que queria.

com ,talvez, amor,

C.

(não, não te posso amar como nos filmes. nem nutrir dessas paixões fugazes. mas julgo que entendes quando digo que o talvez seja a melhor forma de descrever o que sinto ou, melhor, o que quero)