segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Idiossincrasia do meu eu

Porque amar nunca me corre bem.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Anestesia emocional

não sei se ele foi midazolam ou propofol, mas desde então estou mergulhada em morfina.

não sinto nada. tenho saudades de sentir.

Inércia Circunstanciada

Não há nada que resista. Pensamos sempre que tudo é infinito. Que tudo é imutável. Que tudo tem o seu tempo.

Nada tem. Nada é. Nada existe.

Mentira.
Há frustração. Há perda. Há mudança. Há gritos internos e rasgões externos e mordeduras asfixiantes. Há clorofórmio e há benzodiazepinas.

Há tudo, excepto que não há nada.

E por mais que se mova, tudo permanece.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

brincadeira de criança

a história do João e do seu balão é a história de todos nós. a história de um sonho, uma ideia, um desejo, um sentimento que vamos querendo cada vez mais. que vai crescendo e subindo e preenchendo a nossa vida.  e que, como todos os sonhos, desejos, sentimentos, acaba com um sopro e um puff.
a história do João e do seu balão é uma história de crianças, para crianças. uma história simples. uma história que pode não ser nada disto. mas uma história que é de desilusão. e os "crescidos", esses, por mais que digam que não, não passam de crianças a chorar quando os seus sonhos voam para longe, para sempre.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A vida é como uma mariscada

Não sabes bem para onde te virar, há imensa coisa para comer boa. Mas depois há aqueles mariscos que só alguns é que gostam. Eventualmente se chegares tarde ou fores altruísta acabas tu por ficar sem nada para comer. Ou então com os restos. No final sais sempre magoado, especialmente se limpares as mãos ao guardanapo com limão - as feridas doem sempre mais depois de estares de barriga cheia. Mas mau mau é estares a comer e aleijares-te quando tentas partir a carapaça de outra pessoa. Se bem que chega a ser quase merecido, não se deve partir ninguém. Nem mesmo que seja para comer.

Sabes, ter carapaça por si só é mau que chegue.

sábado, 20 de abril de 2013

Hidroginástica em bibliotecas sufocantes


Vamos perdendo as pessoas aos bocadinhos.

Por mais que digamos que não. Por mais promessas. Por mais partilha. Vamos. 
Elas pertencem a alguém e nós pertencemos a outro alguém e no fim fica um mar de alguéns que lutam para se manter à tona de água, para respirar, para não sucumbir à maré entrelaçada de relações e ligações, para que a morte, o afogamento, não as atinja. E as palavras vão-se diluindo no sal da água do mar de alguéns, vão-se asfixiando nas laringes que se enchem de água a cada golfada desesperada. Até que os pulmões recebem o mar de braços abertos. Até que sentimos a maior dor quando tentamos compassadamente respirar a conversa do nosso alguém, aquele que é de outro alguém, que por sua vez é de outro alguém. Até sermos engolidos pelas ondas. 

Sim, vamos perdendo as pessoas aos bocadinhos.

domingo, 14 de outubro de 2012

oh the glamorous life of a Med student

"one minute, you are hearing heart sounds

the next, you are hearing the sound of your heart breaking."

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

desculpem.

eu costumava conseguir escrever. but now i just can't. 

e é tão triste

domingo, 5 de agosto de 2012

clubes nocturnos

tenho tendências ridículas. e já nem me refiro a ridículas do estilo das cartas de amor que o Pessoa adorava. são mesmo ridículas.

deixei de escrever porque achei que tinha de manter um padrão qualquer naquilo que escrevia. mas apercebi-me que sinto falta desta verborreia que às vezes me toma de assalto. e por isso, aqui está. um conjunto de letras idiotas que não dizem nada de jeito mas dizem tudo ao mesmo tempo.

um dia hei-de ter sorte e mudar de tendências.

os homens de hoje em dia já nem homens são.

terça-feira, 26 de junho de 2012

embora.

apetece-me desistir de algumas coisas. mas isso é para fracos não é?
queria tanto voar.

domingo, 10 de junho de 2012

por mais que tente acabo sempre numa definição estampada na parede de um prédio abandonado ao lado de um graffiti esbatido

é assim tão errado odiar-me?

se cheira a chocolate e sabe a chocolate...

se soubesses tudo o que eu daria para poder partilhar um quadradinho que fosse contigo.

és o pior erro de todos

e olha que tenho experiência que baste em escolher os sabores errados para recheios e coberturas.

há um fogo que me consome e não são malaguetas

Fernando Pessoa um dia escreveu:
"Se eu te pudesse dizer
O que nunca te direi,
Tu terias que entender
Aquilo que nem eu sei." 


Sei que tenho estado ausente, e não tenho dito nada, mas nem eu sei.

sábado, 5 de maio de 2012

eu

não sei escrever.

sábado, 28 de abril de 2012

negação de mim própria

todos os dias me esqueço porque te odeio amo, e todos os dias tu mo relembras.

nem a camomila me salva desta febre

o lixo sentimental que produzo todos os dias equivale a uma pegada amorosa superior à de mil homens apaixonados.

não entendo porque é que tenho tanta coragem e tanta cobardia ao mesmo tempo. gentilmente, ponho os pés pelas mãos e troco outras tantas instâncias anatómicas sempre que te tento seduzir com palavras de mel e conversas de chá. e todos os dias caio na tentação de revelar o dobro do que queria mas metade do que desejo.

anseio pelo dia em que te consiga escrever a minha verdade e me consigas compreender; minto, anseio pelo dia em que te compreenda.

és o maior mistério (não vou pensar nos outros que ainda estão presos na minha garganta, mesmo após várias lavagens pelo mundo da tequila e da lima - minhas adoradas companheiras de vida) e provocas em mim uma sensação de incapacidade de me controlar, uma falta de controlo que me impele para que sonhe contigo a todos os minutos do meu dia e a todas as horas da minha noite.

(não sei se) gosto mesmo de ti. acho que te quero sem saber porquê.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

maybe I just want to feel alive

tenho andado a tentar aguentar este estado de espírito. mas não consigo não me sentir atraída por um abismo de errado que tudo isto é, ou melhor, pode ser.

e, o pior, é que mesmo com o estrangulamento de garganta que tenho, a afonia de falar de ti, não consigo chorar. porque tu me fazes sorrir, ainda que de forma totalmente doentia, mas sorrio.

é curioso que sejas o oposto do que tenho querido, mas igual na inaptidão de falares ou sentires.

- tenho tendências -

sexta-feira, 23 de março de 2012

as coisas que acontecem enquanto procuravas apenas um dia calmo e feliz ou 'bebericando chá num jardim de solidão'

vocês não entendem que não podemos viver de esperanças suspensas e talvezes sonhados em dias de sol. que a inconstância que revelamos se deve à mesma inconstância que nos revelam em nuvens de vapor de água doce que baforejam tal brisa do sul para cima de nós. que ficamos tristes com as mais pequenas coisas.

vocês não entendem a mágoa de sentir demais e não poder fazer nada. a falta que nos fazem no meio deste mundo sujo, injusto e conspurcado. o que precisamos de vocês. o que precisamos de precisar de vocês, para nos manter sãs e afastadas da loucura.

vocês não entendem os sentimentos puros que sentimos. que nos recordam o tempo em que tudo era simples. que com vocês sonhamos.

não, vocês não entendem nada.
vocês não entendem.

sexta-feira, 2 de março de 2012

já não se faz hardware como antes.

os meus dedos arranham o teclado até começarem a sangrar. o sangue é uma coisa tão complexa penso eu enquanto continuo a arranhar as teclas que me mantêm presa à ilusão de que te importas. pode ser que ainda troquemos teclas hoje - sempre a eterna sonhadora. não é por estares praí a escrevinhar que ele te vai notar, volto à realidade da hemorragia.

tens-te divertido tanto, C.; tens tido tanta atenção dos outros mas nunca a tua. o pior é que tu não entendes como me fazes sentir. sangro mais um bocadinho enquanto as lágrimas me escorrem - estou farta de pensar. esta tara por homens sacanas tem de acabar antes que o teclado se estrague, qualquer dia não há álcool que lhe valha, qualquer dia não há veias que me valham. a culpa é dos fabricantes de computadores e material de harware - esta porcaria hoje em dia é demasiado frágil - como eu.

a verdade? estou farta de doar sangue para um teclado inanimado.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

quando a sílaba tónica é a antepenúltima

"Todas as palavras esdrúxulas, como os sentimentos esdrúxulos, são naturalmente ridículas"


ponho-me sempre a pensar que as cartas que tenho para te oferecer não serão suficientes para saciar esse teu vocabulário próprio. que o meu vernáculo não será suficiente. que não sou vocábulo para ti.

o que mais queria, na verdade, era fazer parte do teu livro. vir um dia a ser uma das tuas histórias (uma daquelas boas e perfeitas que tiveram um final feliz) e poder ser contada a quem quisesses. queria ser delineada pela tua caneta e constar do teu dicionário.

mas eu já sei que sou de difícil pronúncia e que a minha grafia tão-pouco ajuda à minha compreensão. tenho uma tónica própria e, acaso fosse uma frase, teria uma sintaxe complexa demais para ser deslindada com apenas a leitura breve que me dás.

se ao menos me escrevesses...




"Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas."

[Álvaro de Campos]